Festa Literária
Internacional de Paraty
 
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André Diniz
Ciça Fittipaldi
Cláudio Thebas
Daniel Munduruku
Fernando Vilela
Flávia Lins e Silva
Graça Lima
Heloisa Prieto
Ilan Brenman
Indigo
Leonardo Chianca
Lúcia Hiratsuka
Marcelo Carneiro
Marcelo Cipis
Márcia Leite
Mariana Massarani
Maurício Veneza
Pedro Bandeira
Sulami Katy
Suppa

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  Daniel Munduruku  

Meu nome é Daniel. Pertenço ao povo Munduruku que é lá do Norte do Brasil, bem no coração da floresta amazônica. Minha gente é guerreira e por isso recebeu como apelido esta palavra que significa formigas guerreiras. Ali nasci e cresci como toda criança indígena: brincando. Vivíamos numa época em que não existia energia elétrica, televisão ou outras distrações. “Só” tínhamos a floresta para explorar com nossos jogos e brincadeiras, e por isso nossa imaginação voava solta para criar formas diferentes de diversão. Na aldeia aprendi a viver em comunidade. Lá ninguém fica sozinho. Todos temos que nos envolver nas atividades comunitárias. Mesmo quando estamos tristes, temos necessidade de nos juntarmos aos outros para festejar a vida que nasce junto com o sol e permanece depois que ele vai embora. Aprendemos as coisas importantes com os nossos avôs e avós por quem nutrimos verdadeira devoção porque eles são para nós como “bibliotecas vivas” onde moram as histórias de nossos antepassados. Ouvindo histórias antigas vamos aceitando o momento atual que dizemos ser nosso presente diário. Sem essas histórias nosso coração enfraquece e ficamos doentes.

Quando me tornei adulto – por volta dos quinze anos de idade –, decidi que iria estudar na cidade grande. Meus pais concordaram, porque sabiam que eu era muito curioso e que se não fizesse isso seria uma pessoa triste. Foi assim que resolvi entrar no seminário em busca de minha vocação. Mais tarde vi que não era exatamente o sacerdócio que me chamava, mas o grande afeto que eu nutria pelas crianças. Isso me fez deixar o seminário e me tornar professor. Ou melhor, um contador de histórias (todo professor deveria ser um). Eu saia contando histórias nas escolas, nas praças, nas casas dos amigos. Tempos depois, isso fez com que eu começasse a escrever minhas próprias histórias, sempre com o olhar voltado para as crianças e os jovens. Daí em diante, escrevi mais de quarenta livros e quero escrever muito mais ainda. Gosto de escrever, mas confesso minha preguiça; gosto de ler, mas às vezes desisto no meio do livro; gosto de cantar, mas sou muito desafinado; gosto de jogar futebol, mas meus joelhos já não são os mesmos; gosto de receber os amigos em casa, mesmo que não pare muito por lá; e gosto de comer manga no pé. Gosto também de música clássica e de música brasileira; gosto dos meus amigos e tenho especial amor pelas pessoas mais sofridas, pobres e excluídas da sociedade. Minha vida é assim. Ah! Sou casado e apaixonado pela minha esposa [Tania Mara] e por meu filho e filhas [Lucas, Gabriela e Beatriz]. 


 

Realização
Associação Casa Azul